Documento
Metadados
Título
Tronco (ritual)
Descrição
Peça em sentido vertical. algodão em rama colado no topo à guisa de cabelo. na frente do tronco, pequeno triângulo com base invertida simulando rosto. parte correspondente ao tórax descascada, pintada de branco e decorada com pintura corporal (peixe pacu geometrizado) em preto. O tronco do kuarup é utilizado em ritual funerário, composto de diversos eventos, onde se homenageia um chefe morto. O tronco simboliza o morto, cuja alma passa a ser livre no final da cerimônia. Itapaka é o nome dado à faixa branca que simula o tórax e aos desenhos que a recobrem. O branco é resultante de uma camada espessa de tabatinga (argila branca), e o preto de uma mistura de carvão e leite de mavu. Este tronco está ornamentado por: diadema vertical na parte superior anterior (030.075), faixa frontal (030.076), diadema vertical na parte superior posterior (030.077), colar (030.078), par de braçadeiras (030.079 e 030.080), e seis faixas formadas por fios soltos de algodão (030.081 a 030.086).
Autor
Número de registro
30074
Fonte de aquisição
Situação da imagem
Forma de aquisição
Material
Referência de aquisição
Processo 01468.000054/94-30
Local de produção
Data de produção
1993
Estado de Conservação
Termos de indexação
INDÍGENAS | KAMAYURÁ | KUARUP | POVO KAMAYURÁ | POVO TUPI | POVOS INDÍGENAS | POVOS ORIGINÁRIOS | QUARUP
Altura (cm)
135,00
Largura (cm)
96,00
Valor
6500
Localização
Situação
Observações
Este conjunto constitui um testemunho material e sagrado de altíssima densidade cósmica e histórica, proveniente das culturas indígenas do Alto Xingu. Os artefatos são o núcleo do Kuarup, o grande ritual de celebração dos mortos ilustres e de rebatismo cósmico da comunidade, onde cada tronco representa antropomorficamente um antepassado ou liderança que partiu, operando a transição entre o luto e a renovação da vida. A análise de Maria Elisabeth Bréa Monteiro (2022, p. 379) ressalta que a presença dessas peças no acervo subverte frontalmente as narrativas eurocêntricas de apagamento e colecionismo etnográfico predatório. Os troncos materializam a complexa sofisticação metafísica, artística e política dos povos originários, resistindo à lógica de fossilização do passado colonial ao afirmar uma temporalidade cíclica e ancestral. No âmbito das coleções do MHN, os objetos afastam-se de um sentido folclorizado para abrir espaço a debates de vanguarda sobre os direitos indígenas, o trauma histórico do contato forçado, a repatriação e o papel dos museus nacionais na revisão crítica de suas coleções.
Referências expográficas
Exposição “Oreretama”, Museu Histórico Nacional/RJ | Exposição de longa duração “Iandé: aqui estávamos, aqui estamos”, Museu Histórico Nacional, desde fevereiro de 2023.
Referências bibliográficas
Autoria das fotos
José Caldas; Jaime Acioli
Anexos
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