Biografia
Aos seis anos foi para Belém do Pará, iniciando seu aprendizado, e em 1916 sob influência da teosofia, chagrai a executar pinturas não figurativas. Fixando-se em 1918 no Rio de Janeiro, estudou direito, ao mesmo tempo em que cursava a Escola Nacional de Belas Artes, como aluno de Rodolfo Chambelland e Batista da Costa, e o ateliê de Visconti, artista que iria marcá-lo. Santiago ele próprio assim se referiu a essa fase inicial de sua carreira:"Tinha eu seis anos, quando pintei um retrato a carvão, de meus avós, sendo este, que me lembre, o primeiro trabalho meu. Desse tempo por diante, desenhei, pintei muito, até agora, primeiramente sem professores, mais tarde, já mocinho, com os mestres de desenho que era possível obetr na província. Vindo para o Rio, estudei na Escola, primeiro, como aluno matriculado, depois como aluno livre. Tornei-me aluno livre, pela questão da frequência rigorosa, visto outros afazeres me obrigarem a faltar, uma ou outra vez, às aulas. Nesse caráter, frequentei, porém, vários anos a Escola, tornando-me, depois, aluno do professor Visconti, em curso particular, artista a que continuo a acatar como legítimo mestre. Tomando parte no Salão Nacional de Belas Artes desde 1918, Santiago nele conquistou em 1927 o prêmio de viagem à Europa, com o qual viveu em Paris cinco anos, de 1928 a 1932, expondo nos Salons d'Automne, des Tuilleries (1931) e des Artistes Français (1929, 1930, 1939), ligando-se ao mesmo tempo ao grupo de pintores brasileiros então de passagem pela capital francesa, e que incluía Portinari e Di Cavalcanti. Ao regressar, realizou em 1932 no Rio de Janeiro sua primeira individual, passando a exercer imediatamente benéfica influência sobre os artistas mais novos. Já em 1934, num cartão enviado à mulher, a pintora Haydea Santiago, assim aludia a seu encontro fortuito com os rapazes do Núcleo Bernardelli, do qual se tornaria, de então em diante, mentor. (...) No Núcleo, Santiago foi professor em especial de Bustamante Sá, Rescala, Rui Campelo, Edson Mota e Dacosta (nomes aos quais Chermont de Brito acrescenta os de Pancetti e Malagoli), inculcando, naqueles, senão a marca de sua personalidade, ao menos seu exemplo de disciplina, boa técnica e perseverança no trabalho. Santiago continuaria participando até avançada idade de certames, como o Salão da Primavera (1923), o Salão de Rosario, na Argentina (1929), Salão Paulista de Belas Artes (menção honrosa em 1936, medalha de bronze em 1938, medalhas de prata em 1940 e 1945), o Salão de Porto Alegre (medalha de honra em 1939), a Exposição do IV Centenário de Santiago do Chile (medalha de ouro em 1941), o Salão Fluminense de Belas Artes (medalha de ouro em 1942), a Bienal de São Paulo (1951), o Salão Nacional de Arte Moderna (a partir de 1952), a mostra Um Século de Pintura, organizada pelo Museu Nacional de Belas Artes (1952), a Exposição de Belas Artes do IV Centenário do Rio de Janeiro (medalha de honra em 1965), etc, em ainda em 1984 realizou uma individual de suas pinturas em São Paulo, na Galeria Grossmann. Pintor de figuras e de paisagens, Santiago exerceu também por longos anos o magistério no Instituto de Belas Artes do Rio de Janeiro, aposentando-se em 1967. Sua longa carreira pode ser dividida em três fases: a dos temas indígenas e teosóficos, que dura até aproxiamdamente a obtenção do prêmio de viagem à Europa, em 1927; a que se inicia em 1932, ano do regresso ao Brasil, e que, prolongando-se até 1950, presencia seu pleno desenvolvimento, e a que começou em 1950, momento, segundo Campofiorito, "de exaltação da cor luminosa e da generosa matéria pictórica". Palheta luminosa e matéria opulenta são, efetivamente, duas caracter~isticas marcantes de sua pintura, que se revestiu, sempre, de grande tipicidade, impondo-se às gerações mais novas como exemplo de coerência, muito embora, do ponto de vista estilístico, não tenha jamais ousado ir muito além dos estreitos limites acadêmicos em que plasmou a personalidade, Faltou-lhe, para ser verdadeiramente um grande artista, maior inventiva, alguma audácia, o talento para inaugurar caminhos novos, em suma.
Ref: LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro, Artlivre, 1988, p. 461-462.
Observação: nome - grafia antiga: Manoel Colafante Caledônio de Assumpção Santiago. (S.S.20/09/2005)