Movimentações e restauros registrados no DONATO, observações e anotações.
Observações
O Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) do Rio de Janeiro, a fim de expor diferentes conjuntos do seu acervo e apresentar obras há muito tempo sem serem expostas, oferece esta mostra de quadros de artistas estrangeiros cujo processo de criação realizou-se no Brasil. São auto-retratos de pintores ou retratos de artistas plásticos, escritores e intelectuais atuantes no século XX, realizados durante a permanência de seus autores no nosso país. Estão presentes as diferentes correntes artísticas vigentes ao longo do mencionado século, incluindo-se o academismo, o surrealismo e o expressionismo, dentre outras. Como destaque, a presença de dois húngaros. Primeiro, Árpad Szenes (1897-1985): pertencente à chamada Escola de Paris, comparece com o retrato da educadora e poetisa paulista Yone Stamato. Arpad Szenes foi casado com a artista lisboeta Maria Helena Vieira da Silva, pintora da vanguarda portuguesa do século XX: juntos produziram bastante, vivendo em Copacabana e em Santa Tereza. O outro húngaro, Tomas Meszoly de Meszo "Tomé" (1901- após 1956), integrou-se ao novo país habitando no Rio de Janeiro e permaneceu ativo, ao longo dos anos, como pintor de diversos gêneros e decorações murais: seu Auto-retrato vigoroso, feito com tintas que saem direto dos tubos, registra um olhar ranco firmemente centrado no espectador. Ainda da Europa Central vem o artista tcheco Jan Zach (1914 - após 1977): inicialmente, foi para os Estados Unidos como designer da firma tcheca Bata de onde, com a eclosão da Segunda Guerra, veio para o Brasil. Encantado com o Rio de Janeiro, regstrou cenas pitorescas da vida cotidiana da cidade com precisão e bom humor. Seu Auto-Retrato nos mostra alguém despojado de convencionalismos, revelando seu charme pessoal e espontaneidade no próprio estilo de viver e de pintar: a obra é realizada com pinceladas largas, sem arrependimentos ou retoques. Dentre os latinos,destaca-se a pintora Diana Garcia Dampt (1861-1938): oriunda da Argentina, estudou alguns anos na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, depois seguindo para a França. Em Paris, tornou-se amiga de artistas tais como J.G. Henri Martin e se casou com o escultor Jean Dampt. O quadro de sua autoria que integra esta exposição - Fantasia em rosa - é um auto-retrato em tamanho natural, em estilo belle époque, guarnecido de uma autêntica moldura da época; com dimensões consideráveis, exibe no seu conjunto a delicadeza das cores e das pinceladas, alcançando um notável resultado decorativo. Já o espanhol Thimóteo Pérez Rubio (1896-1977) foi vice-diretor do Museu de Arte Moderna de Madri antes de vir para o Brasil, em 1937, juntamente com sua esposa Rosa Chacel: seu Retrato de Rosa Chacel exibe, numa composição de mei0-corpo, a escritora-romancista e autora de ensaios sobre literatura espanhola do século XX. Este retrato foi comentado por Gabriela Mistral - amiga do casal - no catálogo da exposição realizada por Pérez Rubio, em 1942, no Museu Nacional de Belas Artes. Para concluir, é importante lembrar também a presença de Antônio Pedro (1909-1966), representante do surrealismo português: seu quadro Nós dois no Brasil, um retrato duplo - dele e de sua esposa - sintetiza a percepção, por parte de ambos, das belezas deste país conjugando símbolos tais como uma orquídea e o Pão de Açúcar, tendo ao fundo a curva sinuosa da baía de Guanabara.
- Este segmento - UNIVERSO INTELECTUAL - criado por convite ou por iniciaiva própria - é de retratística resultante do interesse individual do pintor pela Sociedade. Reflete o convívio e a integração do pintor ao meio e representa, de certo modo, uma homenagem e tributo particular a pessoas que se destacaram em diferentes áreas culturais.