Biografia
1969 - Realiza seus primeiros trabalhos de programação visual para catálogos de exposições no Rio de Janeiro. Faz revisão tipográfica do dicionário de artes plásticas no Brasil, de Roberto Pontual. Estabelece contato com o poeta e artista Osmar Dillon.
1970 - Inicia suas atividades como artista plástico sem abandonar seu emprego no Banco Central do Brasil, onde atuava como economista e bancário. Participa de mostras coletivas, como materiais transfigurados, na sala Goeldi da Funarte, no Rio, e é selecionado entre trinta artistas para a XIª Bienal de São Paulo que o ocorreria no ano seguinte.
1971 - Ministra curso durante o evento Domingos de dapel (desdobramentos dos Domingos da criação no MAM do Rio). Realiza sua primeira exposição individual - Múltiplos - na Galeria Ipanema, com texto de apresentação de Roberto Pontual. Participa da XIª Bienal de São Paulo e obtém o prêmio internacional com a sua série Des-mov-em (caixas de acrílico com fitas de papel colorido). É indicado para o XXXVIª Bienal de Veneza, que seria realizada no ano seguinte.
1972 - Integra com Franz Weissman e Humberto Espíndola a representação brasileira na XXXVIª Bienal de Veneza, mostrando seus primeiros conjuntos de Armagens, relevos de papel no interior de caixas de acrílico transparentes ou translúcidas. A partir de então, sua obra passa a integrar acervos de coleções e museus internacionais. Realiza exposição individual na Galeria Ipanema com boa repercussão na crítica.
1973 - Intensifica sua participação em exposições coletivas e individuais por todo o país, com destaque para o prêmio no Concurso Nacional de Múltiplos promovido pela Petite Galerie, no Rio.
1974 - Primeira exposição individual em São Paulo, na Galeria Arte Global. Exibe junto com suas Armagens uma versão de ampulheta, obra sem título manipulável de papel e acrílico. Na mesma ocasião um documentário de André Palut aborda a obra de dez artistas brasileiros - Paulo Roberto Leal entre eles - selecionados para integrar o acervo de arte contemporânea do Museu de Ontário, no Canadá.
1975 - Inicia nova série de trabalhos, as Entretelas, usando recortes de tecidos costurados à máquina. Realiza exposição na Galeria Grafitti, no Rio, com texto de apresentação de Osmar Dillon. A escolha de novo suporte inspira uma série de matérias da crítica especializada.
1976 - Realiza com Haroldo Barroso exposição itinerante por várias cidades brasileiras. Participa também da mostra Arte agora I: Brasil 70-75, no MAM do Rio.
1977 - Olívio Tavares de Araújo realiza filme sua obra por ocasião da exposição itinerante O gesto criador.
1978 - Realiza nova série de trabalhos com telas recortadas, pintadas e coladas sobre diferentes suportes. Com as armaduras participa da exposição Arte agora III: América Latina - Geometria sensível (as peças foram consumidas pelo incêndio do MAM do Rio). Apesar do reconhecimento como artista, continua trabalhando no Banco Central do Brasil e assume por dois anos o cargo de curador do Museu de Valores.
1980 - Participa do Panorama da nova pintura latino-americana, exposição inaugurada em Buenos Aires que circula por vários países. Participa da representação brasileira da XXXIXª Bienal de Veneza.
1981 - Monta para o Projeto ABC, da Funarte, no Rio, o ambiente A casa e expõe na sala especial no Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte. Expõe também no Museu Postal e Telegráfico de Brasília, onde apresenta pela primeira vez a série Cartas - folhas de papel que se unem por linhas de costura.
1982 - Participa da exposição In comunicabile/Inter-comunicável, com artistas brasileiros e estrangeiros, no MAC de São Paulo. Com a série Quasar participa de exposição da Coleção Gilberto Chateaubriand na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, Portugal.
1983 - Integra o júri do Salão Nacional de Artes Plásticas e participa da mostra À flor da pele - pintura e prazer, no RIo.
1984 - Em parceria com Marcus Lontra realiza curadoria da exposição Como vai você, Geração 80?, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio. Durante os anos 80 realiza várias exposições individuais e coletivas por todo o país. São desse período trabalhos como: Habitantes, Rio ziriguidum, Vila, Morro da Urca, Corcovado e Batuque, que têm a cor como elemento fundamental.
1989 - Mostra Concerto Concreto, sua última exposição individual, na Galeria 110 Arte Contemporânea, no Rio.
1991 - Morre aos 46 anos, no Rio.
1993 - Com o objetivo de preservar sua memória e sua obra, o crítico Roberto Pontual e os artistas Armando Mattos e Manfredo Souzanetto criam o Projeto Concreto PRL, que tem Gilberto Chateaubriand com um de seus conselheiros.
1995 - A Coordenação de Atividades Didáticas do MAM do Rio implanta o Centro de Referência Iconográfica e Textual PRL e põe à disposição arquivo documental para consulta e pesquisa do público.
1998 - Sua obra participa das exposições coletivas O Moderno e Contemporâneo, no MASP, Espelho da Bienal, no MAC de Niterói e ganha pequena individual no Estúdio Guanabara, no Rio.
1999 - Os Dês-mov-em e as Armagens são expostas no Parque das Ruínas, no Rio.
2000 - O acervo do projeto Concreto PRL é exposto pela primeira vez em mostra retrospectiva no Centro Cultural Light, curada por Armando Mattos. Na ocasião é publicada o primeiro catálogo sobre a obra do artista. Sua obra é exposta em individual na Galeria Laura Marsiaj.
2001-2006 - Integra as coletivas, Imagem sitiada, no Espaço SESC, Rio (2003); Onde está você Geração 80? no CCBB Rio (2004); Espaço Lúdico na Arte, no Itaú Cultural, São Paulo (2005); e Abrigo poético - Diálogos com Lygia Clark, no MAC de Niterói (2006).
2007 - Retrospectiva abrangente de sua obra na mostra Da matéria nasce a forma, no MAC de Niterói.
2008 - Retrospectiva abrangente de sua obra em papel na mostra Paulo Roberto Leal - Trabalhos em Papel, na Ronie Mesquita Galeria, no Rio.
Fonte: Pôster-Folder da exposição Roberto Leal - Trabalhos em Papel, na Ronie Mesquita Galeria, no Rio. (Atualizado por Leonardo Bertolossi e Mayra Brauer, em 19/11/2008).
Artista que trabalhou com vários materiais: objetos de acrílico e papel, pintura de cavalete. Realiza sua primeira individual em 1971, no RJ, com caixas múltiplas de acrílico contendo tiras de papel. Com estas caixas e outros trabalhos em papel kraft, conquista o Prêmio Internacional da XIª Bienal de São Paulo. Participou também das XXVIª e XXXIXª Bienais de Veneza, Itália (1972 e 1980); Dentre suas exposições individuais, citamos: Galeria Saramenha, RJ, 1986 (expôs a pintura "Rio Ziriguidum", hoje no acervo do MNBA). Foi o curador da exposição "Como vai você, Geração 80?", EAV, Parque Lage, 1984. Sheila - 02/10/2002)
- Comentário Crítico:
"Desde o início da década de 1970, Paulo Roberto Leal produz obras em que explora as possibilidades plásticas do papel. Utiliza papéis kraft de embrulho, ou outros mais nobres, para criar estruturas de repetição ou variedade de módulos. Nessas obras, o artista destaca o caráter perecível e conceitual de sua proposta, que pode ser desfeita ou alterada a qualquer momento. Na série Armagens, apresenta papéis articulados, enrolados sinuosamente no interior de caixas acrílicas transparentes. Em seus trabalhos, mantém diálogo com a obra de Osmar Dillon (1930), artista que trabalha com poemas visuais criados em caixas de acrílico, estabelecendo jogos entre palavras, formas e cores. Em séries como Desarmagens e Des-mov-em, percebe-se seu questionamento dos limites da pintura.
Em 1974, passa a produzir as entretelas, recortes de tela unidos por costuras à máquina. Posteriormente, elas são pintadas e coladas sobre vários suportes, como na série Armaduras. Como nota o crítico Roberto Pontual, Leal busca no módulo e no múltiplo a base de seus trabalhos, mesclando elementos relacionados à arte povera com o refinamento da arte cinética.
Segundo o crítico, desde 1978, o artista revela a vontade crescente de se aproximar da pintura, sem, no entanto, alterar seu processo de trabalho. Nas séries Armaduras e Quasar (1980), destaca-se a importância da cor, que cria atmosferas, utilizada também de forma simbólica. Em produção posterior, Paulo Roberto Leal busca ainda uma integração com o ambiente e a arquitetura do local expositivo, como na obra Regata (1985)."
* Texto retirado da Enciclopédia Virtual Itaú Cultural de Artes Visuais. Endereço disponível na Bibliografia.
(JOB - 02 e 03 de outubro de 2006)