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Metadados
ID no DONATO
756
Local de falecimento
Curitiba, Paraná, Brasil
Data de falecimento
09/08/1935
Local de nascimento
Christiansand, Noruega
Data de nascimento
03/11/1860
Sexo
Masculino
Nome (etiqueta)
ALFREDO ANDERSEN
Biografia
Pertencia à mesma geração do escritor Knut Hamsun (1859-1952), cujo retrato executou, e do pintor Edvard Munch (1863-1944). Aos 17 anos matricula-se na Academia de Belas Artes de Cristiânia (a Oslo atual), como aluno de Krohg, vencendo as resistências do pai, que queria vê-lo engenheiro naval. Entre 1879 e 1883, com bolsa de estudos, frequenta a Real Academia de Belas Artes de Copenhague, da qual seria mais tarde professor de desenho. Retornando da Dinamarca em 1883, no ano seguinte realiza sua primeira individual, em Cristiânia. De então até 1890 continua expondo, regularmente, realizando também pequenas viagens ao estrangeiro, sobretudo à França. Mas em começos da década de 1890, obedecendo, quem sabe, à mesma espécie de obsessão que exatamente na mesma época levaria Paul Gauguin ao Taiti, decide empreender longa viagem aos trópicos, a bordo de um veleiro. Vai ao México, toca em Barbados e chega à costa setentrional brasileira, executando inclusive, em 1892, uma bonita ‘Vista de Cabedelo’. Em 1893, de novo na Europa, a caminho de casa, sabe que sua cidadezinha fora praticamente destruída por um incêndio. Decide então voltar ao Novo Mundo: embarcando com destino a Buenos Aires num veleiro que transportava ferro e carvão da Inglaterra, atinge Paranaguá, para reparos no barco.. Simpatizando com a terra, vai-se deixando ficar no Brasil, primeiro em Paranaguá, e após 1902, em Curitiba. Como diria muitos anos mais tarde numa entrevista, ‘tive a agradável surpresa de ser logo procurado (1902) por particulares, para os aceitar como alunos. Fundei então a minha escola de desenho e pintura, que ainda funciona. Mais tarde fui instituído professor de Desenho da Escola Alemã e do Colégio Paranaense do Dr. Marins Camargo, sendo em 1909 convidado pela diretoria da Escola de Artes e Indústrias, então de D. Maria Aguiar de Lima, para assumir a direção das aulas noturnas que a mesma escola criara. A criação de um curso noturno de desenho foi excelentemente recebida pelo público e em breve se tornou preciso reduzir a matrícula aos profissionais de ofício e indústria, excluindo-se os diletantes. Assim se conservou um total de 60 alunos, todos operários, entre 14 e 30 anos’. Pouco após se radicar em Curitiba, Andersen ali realizou sua primeira individual de 18 óleos, sendo quatro retratos, e os restantes, paisagens e figuras Na mesma exposição mostravam quadros quatro alunos de Andersen, lange de Morretes entre eles. A atividade didática de Andersen, aliás, seria tão fecunda, que o crítico Carlos Rubens na monografia que lhe consagrou, chega a chamá-lo de Pai da Pintura paranaense, reconhecendo seu papel de elemento aglutinador de tendências e características que, se já antes se tinham manifestado esporadicamente, só agora achavam quem as concatenasse, inclusive do ponto de vista técnico. Várias outras exposições realizaria o pintor norueguês, não só em Curitiba (1914, 1920, 1923 e 1930) como no Rio de Janeiro (1918) e em São Paulo 91921), todas com grande sucesso. Também participou do Salão de Belas Artes, conquistando menção honrosa no de 1916 e medalha de bronze no de 1933. Apesar de tais vitórias, Andersen continuou levando existência difícil no Brasil, dado o provincianismo cultural então vigente. Tendo adotado a cidadania brasileira e no Brasil constituído família, jamais pensou em retornar à pátria, nem mesmo quando, em 1927, o governo da Noruega ofereceu-lhe a direção de uma Escola de Belas Artes. Após um ano de permanência na Escandinávia, da qual assim se despedia, Andersen regressou ao Paraná, trazendo na bagagem um punhado de telas da mocidade, inclusive o já mencionado ‘Retrato de Knut Hamsun’. Cidadão de Curitiba em 1931, Andersen faleceu a 9 de agosto de 1935, em sua residência-ateliê curitibana, mais tarde transformada na Casa de Alfredo Andersen. O artista praticou todos os gêneros, destacando-se como paisagista, intérprete sensível e pessoal da natureza paranaense, e como pintor de figuras. Em sua mocidade, tocado pelo simbolismo, que lhe motivaria algumas de suas mais esplêndidas composições, Andersen pouco a pouco deixou sua orientação original, trocando-a por agudo senso de observação e por acentuado amor à realidade. Espontâneo e vigoroso no pincelar, colorista sensível, sua obra é um caso único de aclimatação cultural de um artista escandinavo em terra brasileira.
Ref: LEITE, José Roberto teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro, Artlivre, 1988, p. 29.
Nome (catálogo)
ANDERSEN, Alfredo