O que a obra mostra, como foi feita e o que está inscrito nela.
Movimentações e restauros registrados no DONATO, observações e anotações.
Observações
- Doação, Claudio de S. Vicenzi, 1891.
- A exposição Pinturas Holandesas e Flamengas no MNBA, foi realizada por ocasião do encontro CODART-Conselho Internacional de Curadores das Artes Holandesa e Flamenga.
O MNBA é herdeiro de uma significativa coleção de pinturas flamengas e holandesas dos séculos XV, XVI e XVII. São obras provenientes da coleção de quadros trazidos pela Família Real portuguesa ao Brasil em 1808 e que, foram deixadas aqui no Rio de Janeiro no retorno da Corte a Portugal em 1821. Outras pinturas entre elas algumas holandesas e flamengas foram compradas em 1816 para implantentar o ensino acadêmico de arte no Brasil. As obras representam diversos gêneros principalmente os do estilo barroco, na forma como se processou nos Países Baixos e em Flandres. Como consequência da maior diversidade e liberdade religiosa desses países, os temas são muito mais amplos do que os registrados em outras regiões da Europa. Estão aqui presentes não só paisagens, retratos, naturezas mortes, como cenas religiosas e de gênero. Estas últimas são excepcionalmente significativas por retratarem o estilo de vida, hábitos e costumes da época da sua criação. A coleção do MNBA é peculiar, ainda, pelo fato de registrar muitas pinturas assinadas, o que constitui uma raridade no cenário da arte barroca européia. O MNBA, através desta exposição, pretende expor mais uma coleção do seu acervo estrangeiro visando à oportunidade de proporcionar ao público atenta observação a apreciação de obras tão raras preservadas em nosso país.
- OBRAS DE FRANS POST E A PINTURA HOLANDESA NO MUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES
No MNBA, a maior e mais importante coleção de quadros holandeses da autoria de um único artista é o conjunto de oito pinturas de Frans Janszoon post(Leiden, 1612 - Haarlem,1680). Pintor de paisagens, desenhista e gravador (água-fortista), filho do pintor Jan Janszoon Post e irmão de Pieter Post (arquiteto), chegou ao Brasil com a comitiva de Maurício de Nassau - Siegen em 1637. Aqui permaneceu, em Pernambuco, durante oito anos. Sua tarefa era registrar aspectos topográficos da região para finalidades militares. Dos seus inúmeros desenhos (hoje no Museu Britânico) surgiu o livro de Gaspar Barleus "Rerum per Octennium in Brasil". Apesar de responsável pela fidelidade documental, seus desenhos e pinturas denotam resquícios do estilo dos pintores maneiristas. Sua pintura, tipicamente holandesa, encontra similar na dos paisagistas como S.Ruisdael (1602-1670) e Ph. de Koninck (1619-1688). É ele considerado o primeiro intérprete da paisagem brasileira. Suas composições seguem o estilo paisagístico holandês, desdobram-se em planos distantes, reservando ao céu a maior parte da faixa superior do quadro. Utilizou tonalidades escuras, demonstrando certa autonomia na luminosidade, apesar de esta ser típica do Nordeste brasileiro. Seus poucos quadros, conhecidos como pintados ainda no Brasil (oito - segundo Beatriz e Pedro Correia do Lago, 1999), constituem valiosos registros da paisagem brasileira, da sociedade açucareira e da vida econômica do Brasil Colonial. O primeiro quadro de F.Post entrou para este acervo público por doação do Governo da Holanda, em 1922, ano do Centenário da Independência do Brasil. "Paisagem de Várzea", uma pintura sobre madeira (como, aliás, a maioria (6) dos quadros dessa coleção) - retrata uma região alagadiça de Olinda, apresentando ao longe, provavelmente, o rio Capiberibe. É curioso observar-se que, anos depois (1934), este quadro foi furtado da pinacoteca da então Escola Nacional de Belas Artes, sendo localizado e adquirido em Paris pelo colecionador Fonseca Hermes, que o restituiu à ENBA. O colecionador Djalma da Fonseca Hermes concentrava seu interesse em obras relacionadas a aspectos brasileiros. Assim, ele adquiriu div