O que a obra mostra, como foi feita e o que está inscrito nela.
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Nascido no Rio de Janeiro em 4 de agosto de 1878 e falecido na mesma cidade, em 21 de setembro de 1965. Filho de pai alemão e mãe brasileira descendente de franceses e gregos, H. Seelinger estudou entre 1892 e 1896 na Escola Nacional de Belas Artes, tendo sido aluno de Henrique Bernardelli, a conselho de quem embarcou em 1897 com destino à Alemanha. Radicou-se em Munique, tendo estudado na Academia de Belas Artes local com Franz von Stuck. Numa entrevista a Angyone Costa, diria, anos depois: - De Stuck recebi a influência panteísta, que é fácil descobrir nos meus trabalhos. O misticismo, revelado nos meus estudos de ateliê, desenvolveu-se, fortemente, ao influxo do idealismo alemão. As lendas da Germânia, os cantos e narrações populares dos barqueiros do Reno, o folclore da Floresta Negra, tão rico de tons pela frescura dos seus poemas, os rapsodos que enchem uma viva página da literatura e da tradição alemã, recortaram, definitivamente, o perfil de minha obscura personalidade. Saí isto que sou, da longa aprendizagem alemã. O meu espírito, que denunciava, ao partir do Brasil, a maneira especial que define a minha arte, desenvolveu-se integralemente dentro do espiritualismo germânico e tomou essa feição que vou conduzindo comigo. É importante lembrar que alunos de Stuck, ao tempo em que com ele estudou Seelinger, foram também Kandinski, Paul Klee e Franz Marc, com os quais o jovem brasileiro possivelmente terá convivido em Munique. Pouco depois de regressar da Alemanha, Seelinger expôs na sede de O Malho, na rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro. Houve quem, como Carlos Américo dos Santos, notasse a "tendência artística singularmente moderna" do expositor, destacando, em sua produção, "a influência dos neo-idealistas alemães, Boecklin, Hans Thoma, Klinger e mais talvez de Stuck"; a maior parte dos comentários foi porém desfavorável, a se dar crédito ao próprio artista, que disse: - A minha mostra, se não constituiu um sucesso, não passou, entretanto, desapercebida, porque serviu, pelo menos, para que muita gente começasse a chamar-me de doido. A partir de 1902 o artista começou a expor no Salão Nacional de Belas Artes, conquistando, já em 1903, o prêmio de viagem à Europa, com a grande composição Boemia, na qual retrata, entre outros, Gonzaga Duque, João do Rio, Luís Edmundo, Rodolfo Chambelland e Fiúza Guimarães. Retornando à Europa logo após, dirige-se a Paris, e passa a estudar com Jean-Paul Laurens. (...) Tal mudança de orientação iria refletir-se de modo negativo na arte de Seelinger, que em França tornar-se-ia talvez mais refinado, mas menos expressivo. De qualquer modo a marca alemã permaneceria muito nítida na sua produção dos próximos anos, alternamdo-se embora a outras influências, como por exemplo a de Rochegrosse, o pintor das Salambôs, artista predileto do próprio Flaubert. Assim, quando volta ao Brasil expõe, em 1908, no Museu Comercial do Rio de Janeiro, uma série de obras, entre as quais Salambô a Lua e Salambô e a Cobra, que entusiasmam Gonzaga Duque. (...) Em 1910 o pintor foi escolhido pelo Ministério da Marinha para realizar as decorações do salão nobre do Clube Naval, no Rio de Janeiro. Com o produto desse trabalho, de novo segue para a Europa, onde permaneceria até vésperas da Grande Guerra, especialmente em França e na Bélgica. Tornando ao Brasil, radicou-se em definitivo no Rio de Janeiro, com frequentes escapadas a outras cidades, principalmente São Paulo e Porto Alegre. Enquanto isso, continuava expondo no Salão Nacional de Belas Artes, onde, após 1903, receberia ainda medalha de ouro (1908) e, em 1951, medalha de honra. Paradoxalmente, e a despeito de ter realizado sua carreira à sombra do Salão, foi o menos convencional e acadêmico dos pintores, chegando a causar estranheza que o não tivessem convidado a participar da Semana de Arte Moderna de 1922, ele que, uns poucos anos antes, fora o verdaeira descobridor de Victor Brecheret. Por muitos anos funcionário do Museu Nacional de Belas Artes, Helios Seelinger criou, nos porões da entidade, a Sociedade dos Artistas Nacionais, ao lado de Carlos Maul,
Movimentações e restauros registrados no DONATO, observações e anotações.