Movimentações e restauros registrados no DONATO, observações e anotações.
Observações
- Pintor Viajante
- A obra dos pintores viajantes representa uma importante parcela da produção artística brasileira, sobretudo a partir do início do século XIX. Aportando no país junto com o governo de Portugal, participando de missões artísticas e científicas ou aventurando-se em viagens individuais, estes pintores contribuíram de forma significativa na execução de relevantes registros pictóricos de caráter artístico-documental do Brasil. Atraídos pela natureza exuberante, dedicaram-se muito à pintura de paisagem. A maioria, no entanto, exercia o gênero de Retrato que foi solicitado com grande frequência. Dessa forma, surgiram alguns dos mais interessantes testemunhos dos costumes e personagens importantes daqueles tempos. Aspectos urbanísticos, recantos naturais hoje desaparecidos, tipos e semblantes que ganharam novas interpretações constituem uma fonte preciosa que nos possibilita múltiplas leituras, além de uma natural apreciação estética.
Edoardo De Martino foi um dos mais importantes pintores europeus que registraram a marinha brasileira. Com precisão de um documentarista e de observador atento e espontâneo, sua criação evoluía do academismo em direção aos registros da natureza de caráter impressionista. Homem de espírito dos grandes viajantes, nasceu em Meta (Castellamare di Stabia), próximo ao Sorrento, na Itália, no dia 29 de março de 1838. Aos 11 anos de idade, na cidade de Nápoles, ingressou na Marinha Militar do Reino das Duas Sicílias. Nestes anos de juventude iniciou-se na arte, aprendendo com um dos maiores expoentes da Escola de Posillipo - Giacinto Gigante (1806-1876). Seu mestre, juntamente com outros artistas, realizava uma pintura inspirada na paisagem do Golfo de Nápoles na segunda metade do século XIX. O contato de De Martino com Giacinto Gigante - cujo tempo de duração se desconhece - foi de suma importância para sua obra, tendo este sido o responsável pela maneira espontânea com que o pintor se expressou mais tarde, principalmente em quadros com assuntos de sua livre escolha. Como oficial da Marinha de Guerra Italiana, De Martino conheceu diversos países. Testemunho dessas viagens são as pinturas retratando Veneza, Mergellina e Stromboli (Itália), Smirna e Rhodes (Mar Egeu), Cannes (Costa Azul), Brest (Bretanha), Cabo Horn (Mar da Noruega ou Irlanda do Norte), Cabo Spartel (Gibraltar) e Porto Stanley (Estreito de Magalhães) entre outros. Numa dessas viagens, a bordo do "Ercole", rumo à América do Sul, o jovem tenente De Martino, que pintava somente em suas horas vagas, tomou a decisão de abandonar a carreira militar. Em Montevidéo, em 1855, com 17 anos, passou a dedicar-se, exclusivamente, à pintura, sua vocação. Radicado em Montevidéo, completou seus estudos com renomado artista local, Juan Manuel Blanes (1830-1901), com o qual colaborou na pintura do quadro Incêndio do vapor América, o qual recebeu consideráveis elogios da crítica e reconhecimento público. Neste período, De Martino concentrou suas pinturas em paisagens de portos, marinhas e embarcações, sobretudo militares, de Montevidéo, de Buenos Aires e de todo o Rio da Prata. Nesta época, sua experiência militar levou-o a retratar, com maestria, cenas da Guerra do Paraguai, realizando várias versões do quadro Combate naval de Riachuelo e Passagem de Humaitá. O quadro original da Passagem de Humaitá foi encomendado pelo Duque de Caxias e oferecido a D. Pedro II, em 1868, o que lhe valeu um convite para visitar o Brasil. Sua permanência no Brasil durou de 1868 a 1875. Neste período (não se sabe exatamente quando) casou-se com a brasileira Isabel Gomes, da família Gomes, da qual descende o pintor e museólogo Manuel Constantino Gomes Ribeiro (1899-1976). Muito bem aceito na Corte, teve oportunidade de acompanhar os almirantes Tamandaré e Barroso na Guerra do Paraguai, tendo registrado inúmeras passagens em seus quadros. A maior parte de suas obras, em coleção pública, encontra-se no Museu da Marinha, oriunda do Almirantado, a quem De Martino serviu como pintor oficial da campanha do Paraguai. Muitas outras pinturas estão guardadas e